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A SECA PIORA E O DNOCS ACABOU

Canindé de São Francisco-SE DNOCS, é a sigla do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. 

Luiz Eduardo Costa
Jornalista

É nome despropositado, algo assim como se na Sibéria fosse criado um aparato estatal para combater a neve e o gelo. Seca não se combate, aprende-se a conviver com ela. 

Desde que o cronista Antonil, narrou as desventuras dos índios que desciam do sertão em tempo de seca para virem disputar o alimento nas praias, tornando mais intensas as sazonais ¨guerras dos cajús¨, pelos séculos adiante, as secas foram recorrentes. Fica difícil atribuir esta de agora aos alegados sintomas do aquecimento global. No século dezoito e dezenove, há relatos de secas que teriam sido devastadoras. Mas a que nos aflige, pode ser calamidade maior de todas as que fazem parte da história das agruras nordestinas. 

Nunca precisamos tanto, como hoje, da presença daquela sigla que, mesmo tendo um equivocado significado, fazia obras que serviam exatamente para o convívio com as secas. 

O DNOCS sumiu de Sergipe. Dele, resta como memoria trise a sucata acumulada na encosta do Morro do Urubú. De tão inútil, o braço federal que trata da seca deixou de interessar aos políticos. 

O último que para ele indicou um diretor, foi o deputado Almeida Lima, mas, logo descobriu que o seu indicado não teria absolutamente nada a fazer. Todavia, o DNOCS continua ativo em outros estados nordestinos, trabalha até com alguma intensidade na Paraíba  no Ceará, em Pernambuco, construindo açudes, barragens, perfurando poços. 

Aqui, temos uma única perfuratriz da Cohidro, que trabalha uma hora e fica parada por duas ou três para ser consertada. É essa única máquina que dispõe a empresa para atender a demanda de regiões do sertão onde existe água subterrânea, mas, intocada e inútil. Há aquela promessa não cumprida do Ministério da Integração Nacional para liberar verbas e doar perfuratrizes a Sergipe. Se essa promessa for como aquela feita pelo ministro Fernando Bezerra, que anunciou a chegada de caminhões dotados de tanques de aço inoxidável e chips, para, sofisticadamente, levarem água aos sertanejos, então, estamos literalmente fritos.

Se vierem os recursos do Proinveste existe a previsão de com eles fazer-se a compra de perfuratrizes, recuperação e construção de açudes, e revitalização dos perímetros irrigados.

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