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Reprovação do Proinveste: deputados não cumprem seus papéis e a briga entre Amorins e Marcelo Déda é paga pela sociedade: “O cidadão se envergonha”


Canindé de São Francisco/SE – Marcus Tullius Cícero (106 à 43 a.c), filosofo, orador, pensador e político afirmou certa vez que  “O que nos ajuda mais a conservar e manter a nossa força é o fato de sermos amados; e o que se lhe opõe mais é o fato de termos medo. O medo é mau guarda da nossa longevidade; a benevolência, pelo contrário, é fiel e dura até à eternidade”.  Entre tantos dons e qualidades que são atribuídas ao governador e homem Marcelo das Chagas Déda, duas em especial parecem-lhe abundantes: benevolência e medo.
Adeval Marques



Jackson e Marcelo Déda
A reprovação do Proinveste fez ouvir-se em todo o Estado de Sergipe e além fronteiras onde se nota o repúdio da sociedade por tal postura adotada pelos deputados estaduais que votaram contra o montante da ordem de R$ 727 milhões que seriam usados em projetos de desenvolvimento de Sergipe. Eu me envergonho. 

Flagelo da seca
Todo o povo sergipano sabe que a reprovação do Proinveste é uma questão de “briga” política com vistas aos dois partidos mais fortes e seus nomes para a sucessão do Estado. Foi colocado em primeiro plano os benefícios próprios e individuais que o grupo tem em não aprovar porque poderia fortalecer aos trabalhos do atual governo. Perdeu toda a sociedade e deve estar avaliando que tipo de representantes, nesse caso específico, o Estado de Sergipe tem. Que avaliações fizeram? Pensaram em milhares de pessoas que dependem desse investimento para ter suas vidas melhores como é o caso da população sertaneja diante do flagelo da seca que dizima a vida do rebanho e faz tornar inane os seus futuros e de suas gerações que ainda engatilham sem nada saberem? E a politica de segurança, saúde, a manutenção das estradas, da agricultura, da política de comércio e indústria que trás divisas para o nosso estado? Como fica o futuro do nosso Estado. Eu me envergonho de ser representado por tais políticos sem amor ao Estado com alegações de que a conta será paga por governos futuros quando na verdade é paga pelo povo que sente apático e impotente a tal postura sem que nada pode fazer porque não é organizados como em outros lugares do mundo que criam manifestações e até atos extremos. Eu me envergonho.

Fome e pobreza
Em Canindé de São Francisco, por exemplo, a ordem dos valores destinados era de aproximadamente R$ 4 milhões que seriam destinados a revitalização do Projeto de Irrigação do Perímetro do Jacaré Curituba e onde vários dos equipamentos da empresa COHIDRO já se encontram obsoletos precisando ser trocados.

Políticas Públicas
O sertão relatado por Euclides da Cunha em seu livro “Os sertões” ainda é muito presente. A região mais pobre do Estado de Sergipe, e cujo seu desenvolvimento social e econômico ficou todo comprometido, é a do Alto Sertão. O da vaca berrando, da seca forte e desoladora que faz mais vítimas que vida, da desigualdade social gritante e cultural que sempre teve entraves para ser resolvida. O sertão do desemprego que faz migrar para outras regiões os pais de famílias a procura de emprego e que ficam a mercê do destino onde alguns jamais voltaram para o seio familiar deixando órfãos seus filhos engrossando as fileiras dos projetos de atenção social dos governos. O sertão da falta de segurança, do roubo de gado, das rotas de drogas, das vias estreitas, dos assaltos a caminhoneiros, de carros e ônibus com turistas ou de pessoas comuns. O sertão das estradas estreitas que precisam ser alargadas. O sertão tem “fome” de atenção e o Proinveste era essa esperança. Berra a vaca com fome e com sede, chora o sertanejo sem atenção e sensibilidade por parte dos seus irmãos representantes das bancadas que vivem na insensibilidade dos seus gabinetes onde não lhes faltam o bom e melhor, conforto e bajulação. São contrastes de duas classes sociais que precisavam reverte os papéis para sentir na pele suas condições e ver como se comportariam diante de tal fato. Se um vaqueiro fosse deputado, duvido que seu voto fosse contrário. Na época das eleições eles hão de aparecer e prometerem nos representar novamente. O que faz discurso de palanque não sair para a prática? “Eu me envergonho”.

Falta de água
O Proinveste serviu mais para medir forças que entre facções políticas que para o benefício comum da sociedade. Estamos falando de 18 municípios que vivenciam hoje a catástrofe da seca sem precedentes como os município de Canindé, Glória, Monte Alegre, Porto da Folha, Poço Redondo com suas micros regiões sofridas e carentes de atenção e vontade política e principalmente humanismo nos nossos líderes. A reprovação do Proinveste foi um erro que o futuro dirá muito em breve e do qual só posso dizer “Eu me envergonho”.  

Falta de Perspectivas 
 Ao invés do governo quem foi derrotado foi toda a sociedade. Os deputados que votaram contra o projeto do Governo foram: Angélica Guimarães, Pastor Antônio, Arnaldo Bispo, Augusto Bezerra, Capitão Samuel, Goretti Reis, Maria Mendonça, Venâncio Fonseca, Zé Franco, Suplente Gilmar Carvalho, Paulinho da Varzinhas e Mundinho da Comase. Esses, ao negarem seu voto pela aprovação do projeto, deram um “tiro” no coração do povo sergipano.


Miséria social
É um corte que ficará exposto em nossa face e cuja arquitetura desse plano, em fazer com que tais deputados votem contra ao Proinveste, dar-se-á por atribuído ao empresário Edivam Amorim que mede forças com Marcelo Déda num clima de animosidade política na pura disputado eleitoral de governar o Estado. Na imprensa e amiúde as reclamações de que o governador não estreitou as relações com seus pares e a sua desatenção para com a classe política lhe dão também os atributos, ultimamente, de arrogante Chefe de Estado. Espertamente, percebendo essa falha de Déda, os irmãos Amorins não perdem tempo, arquitetam, articulam, telefonem, mantém contatos, aprofundam relações, fazem acertos, são afáveis, se comprometem e por fim ganham espaço e confiança e se tornam líderes ganhando reforço em seus projetos de futuro “derrubando árvores e pensamentos, seguindo a linha...” 

Proliferação das drogas (Crack)
Quem diria que o menino Marcelo Déda, promessa do povo sergipano, o jovem que teve seus ideias forjados no pensamento de Trotsky, Karl Marx, Engels, Che Guevara, Lula e tantos outros se visse, como agora, em situações que colocam em cheque seu status de liderança, de homem público capaz de construir relações políticas duradouras e até seu futuro político, de seu sucessor e do Estado ao cultivar derrota por derrota. A incompetência política de Marcelo Déda só não é maior que ele mesmo e de alguns que lhe cercam minorando as boas atuações do seu governo ajudando a fazer crescer as possibilidades ruins de sucessão política. Se isso acontecer ficaram esses todos órfãos.

Contabilizemos ainda o estado de saúde do governador que deve estar lhe debilitando as ações em virtude da forte medicação que recebe em seu tratamento contra o câncer e mesmo assim se quer cogita a intenção de repassar o governo à Jackson Barreto que já poderia começar a trabalhar politicamente no “tecido” dessa “colcha de retalhos” deixada por Déda que precisa ser consertada enquanto há tempo e disposição. Ao invés de pensar como o “Ludvan Bethovem” da política Marcelo Déda faz o inverso e agrava a situação podendo perder de vista “Timoneiros” e “Navio” e por isso “Eu me envergonho”.

Homem de discurso eloquente, Marcelo Déda é tido por grande maioria como um idealista que não consegue fazer com que seus discursos saiam à prática efetiva. Prefere ser benevolente ao invés de agir diante das iminências de rupturas nas relações políticas que constrói em sua volta e por si mesmo. Estamos dizendo sobre o típico exemplo dos irmãos Amorins quando teceu a relação com eles desprezando a opinião de vários do seu grupo que sinalizavam em contrário a união. Com o passar de pouco tempo o clima não foi dos melhores e a ruptura nas relações Amorim Déda teve reveses que agora chega ao auge de ser colocado o destino do Estado em cheque por pura falta de habilidade política e de boas relações que deveriam ser mantidas ao invés de imposições quase que ditatoriais que não mais funcionam nos dias de hoje a um grupo de homens com poder de articulação e que vem conseguindo apoio político dentro e fora do Estado.

É chegada a hora de Marcelo Déda avaliar os quase oito anos de seu mandato de governo e fazer uma introspecção sobre como deve dirigir o restante do seu mandato e voltar aos “trilhos” ou então a sucessão governamental do Estado através de sua imagem de governador e político estará comprometida. É hora de reforçar as bases, procurar fazer alianças e recuperar o que perdeu. Para isso só há um jeito, uma maneira e sobre a qual ele rejeita fervoroso que é passar o governo à Jackson Barreto e ir cuidar da sua saúde. A ideia de continuar no governo a todo custo poderá custar-lhe a sucessão de governo e até sua vida. 

G-5 em Canindé
A bancada do governo encontra-se fragilizada, a incompetência de alguns secretários que agora foram remanejados a toque de caixa e avisados em cima da hora os fazem queixosos e constrangidos, o choque de relações e desatenção política são situações que nos fazem também refletir. A sua pouca disposição para visitar correligionários pelo Estado e percebida por todos, sua falta de visitas e aparições públicas já não são tão questionadas assim e muitos já até acostumaram-se, com seu jeito de desconfiado em todos as direções e seu estado de debilidade de saúde e emocional são presságios de que as coisas não andam bem e pode ficarem ainda muito piores. Comparo a momento que o Estado vem passando, e em especial o governador Marcelo Déda, com a situação em Canindé quando o prefeito Orlando Porto de Andrade não trabalhou o nome do sucessor, cuidou-se de um câncer sem sair do poder e construiu uma relação ruim com o Legislativo de Canindé ajudando a criar um bloco de oposição chamado de G-5 e do qual todas as situações também contribuíram para a derrubada da família Andrade no poder. A reprovação do Proinveste é o termômetro de as coisas não andam bem para a sucessão do governo de Déda.

Finalizo: A briga entre os irmãos Amorins e Marcelo Déda fez com que o Estado de Sergipe seja o instrumento ou mero objeto de desejo de poder para futuras projeções políticas que deixaram uns muito bem e outros muito mal. Somos todos reféns desse jogo onde o nosso futuro e os dos nossos filhos não são levados em consideração. Quem mais perde com isso são àqueles que nada sabem de análise política más que refletem em suas vidas, como é o caso, especialmente, do povo sertanejo que apenas sabe esperar a chuva cair do céu de onde vem o primeiro e último socorro.

“Eu me envergonho” 

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. - Rui Barbosa

(Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

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