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Notas de Luiz Eduardo Costa


O COLAPSO PRÓXIMO EM
LAGARTO E ITABAIANA
Os efeitos da seca  já se ampliam do semiárido ao agreste, e , não fosse a grande adutora do São Francisco, uma ideia de Augusto Franco,  Aracaju já estaria submetida a um rigoroso racionamento de água. O racionamento já começou nos perímetros irrigados de Itabaiana e Lagarto, onde a Cohidro está fazendo a irrigação em dias alternados, e recomendando aos irrigantes  que, sendo possível,  substituam temporariamente  o plantio de leguminosas por tubérculos,  mais resistentes a escassez  de água. Em Tobias Barreto onde o perímetro de Jabeberi   passou recentemente a abastecer a cidade, reduzindo-se a irrigação com um projeto de pecuária leiteira, o reservatório já estava chegando aos limites mínimos, mas, providencialmente, há pouco mais de um mês uma forte chuva caiu  sobre a região.  Por enquanto o racionamento não será feito. Mas em Itabaiana e Lagarto onde as barragens Ribeira e Dionísio Machado ,  já preocupam, a Deso não revelou, mas  tem pronto um plano para iniciar o racionamento ainda em janeiro.
DO LIMÃO  A LIMONADA
A partir do único limão azedo da seca inclemente, o deputado federal Heleno Silva, que agora se transforma em prefeito de Canindé do São Francisco, aproveita a opção que a natureza lhe coloca pela frente, e  quer fazer do limão calamitoso, uma possível adocicada limonada. Heleno, com a concordância do prefeito Orlandinho e a interveniência do promotor público Emerson  Oliveira Andrade, já assumiu a  tarefa de distribuir água em caminhões-pipa a todo o município que tem mil quilômetros quadrados de extensão. Aumentou o número de veículos e está pessoalmente fiscalizando tudo, mas, nos primeiros dias de    janeiro,    começa a ¨limonada ¨. Aproveitando a  situação das barragens que estão quase todas secas, vai iniciar o ¨mutirão da água¨.   Serão retroescavadeiras,  tratores ,  caçambas e trabalhadores, desobstruindo os reservatórios onde o sertanejo faz o acúmulo de água para os rebanhos. Ao mesmo tempo, numa restrita região  do município  onde existe água no subsolo, vai intensificar a perfuração de poços. Assim,  ao final desta estiagem,  a capacidade de acumular e obter água em Canindé já estará consideravelmente ampliada.
 CHEGANDO AOS 90
O corpo tem aparência frágil, os gestos são comedidos, a voz é quase adocicada, acompanhando  a serenidade sábia de um comportamento discreto e gentil, que nunca se alterou ao longo de noventa anos intensamente vividos.
Dir-se-ia  : É um monge . Mas nada disso, o homem é prolífico em vários sentidos, a começar pelos dez filhos, que lhe deram, também, uma extensa enfieira de netos e bisnetos.
 Quem chega aos noventa,  agora, dia 28,  é o exemplar cidadão João Oliva.
A história do jornalismo sergipano passa por ele, a história da cidadania sergipana, também.
UM  SEM  ESTRELAS  PARA
 OS MORADORES DE RUA
 O hotel nem vai precisar de estrelas para classificá-lo. Pelo menos as estrelas que  a indústria turística usa para pontuar o nível de conforto e eficiência da hotelaria. Mas esse novo hotel que surgirá em Aracaju mereceria todas as estrelas para classifica-lo como iniciativa primorosa de solidariedade humana, de criatividade voltada para o enfrentamento das carências sociais.
O hotel sem estrelas vai se transformar em abrigo noturno para os moradores das ruas de Aracaju. A iniciativa é do ex-deputado e ex-vereador Daniel Fortes. Ele vai utilizar o prédio há algum tempo  fechado,  do antigo Hotel Serigy, na esquina de São Cristóvão com Santo Amaro.  O empresário Carlos Nascimento, proprietário do prédio,  o cedeu sem ônus. Daniel vai reformá-lo montar a estrutura para atendimento, e breve o acolhimento começa. A ideia poderia ser válida, também, para o abandonado prédio onde funcionava o extinto Hotel Pálace de Aracaju, e tantos outros sem serventia e quase em escombros espalhados pela cidade, debaixo de cujas marquises, dormem os desvalidos.
 O DEPUTADO ZEZINHO
O deputado Zezinho Guimarães não cabe em si de tanta euforia pela notícia de que serão liberados os 60 milhões para a construção da adutora que levará água de Santa Luzia para Itabaianinha e Umbaúba,  antigo projeto pelo qual tanto sem empenhou. Mas a euforia do deputado não desfaz a preocupação dos seus amigos com o clima de radicalização  que detonou o relacionamento antes pacífico,  entre ele e o seu adversário politico regional, o deputado Mundinho.  Mas há quem tranquilize os temerosos, garantindo que o desforço físico entre os dois é impossível. Zezinho nunca revelou, mas ele é um tranquilo praticante de artes marciais, tendo feito um bom aprendizado do Krav- Magá, a quase letal modalidade  de combate utilizada pelos serviços secretos de Israel. Zezinho não chega a ser um prefeito Sukita, penta-campeão  nordestino de karatê, mas, em todo caso, enfrentá-lo seria uma temeridade.
JOÃO E O ABRAÇO RECUSADO
A cena foi vista por todos os que estiveram na diplomação pontuada de muitos aplausos do prefeito João Alves Filho. João estava na segunda fila, e ao levantar-se, saiu a cumprimentar todos os que estavam na primeira. As pessoas levantavam-se e efusivamente abraçavam João. Ao chegar em  frente ao senador Eduardo Amorim, João, quase perfilando-se, lhe esticou a mão,  e o manteve à distancia. O mesmo alias que fez na composição do seu secretariado.
SÓ LAMENTO O SAMBA SERGIPANO
Há uma banda na praça que valoriza o samba sergipano, até o aproximando do que há de bom no Rio de Janeiro. A Só Lamento faz  a boa música brasileira, aquela que consegue ser popular, atrair  multidão,  sem  precisar transformar  gosto popular em calhordice  barulhenta.
LEANDRO E A VOZ DO TEMPO
 Essa rememoração que faz o Palácio Museu Olímpio Campos, aproveitando o mês de aniversário dos ex-governadores,  tem sido uma excelente oportunidade para uma reavaliação pertinente de vultos que fizeram a história de Sergipe. Leandro Maciel governou num turbulento período em que um histórico de violências políticas desencadeava  o instante para as retaliações,  com a  substituição no poder,  do grupo oligárquico dominante. Ficou de Leandro a fama ou a responsabilidade que lhe deram pela sucessão de arbitrariedades ocorridas no seu quadriênio. Leandro não conseguiu frear a onda de vinditas dos seus chefes políticos, adeptos dos hábitos coronelísticos. Luiz Garcia, seu sucessor, pôs o pé no freio, e perdeu a eleição para o Senado. Na comemoração do aniversário de Leandro, como outras, sempre muito cuidadosamente organizada pela equipe que administra o Museu, falou o escritor , historiador e poeta José Lima. Fez uma palestra cujo conteúdo histórico e analítico valeria por um ensaio, que por sinal não pode deixar de figurar em  livro . Jose Lima destacou o ímpeto modernizante do governo do engenheiro Leandro Maciel, marcado por realizações arrojadas para a época.  O ex-deputado e ex-governador do Amapá,  Gilton Garcia, fez uma intervenção deixando o depoimento de quem foi correligionário de Leandro e nele destacou a virtude da fidelidade aos amigos. Entre a numerosa plateia,   as duas filhas de Leandro, as senhoras Lea  e Anete, e o filho, o ex-deputado Leandro Maciel , Licó, e muitos netos e bisnetos.

CAMPO DO BRITO E O TURISMO
  Prestigiando, na Câmara,  a solenidade de concessão do titulo de cidadão a  Jose Cláudio dos Anjos, o popular radialista Zé do Sertão, o prefeito eleito de  Campo do Brito Alexsandro Menezes da Rocha conversava com amigos sobre os seus planos para transformar Campo do Brito em polo de atração turística. Quer começar aproveitando  a privilegiada natureza, a serra da Miaba, , por exemplo, para criar trilhas e estimular o ecoturismo.
 Levando também o abraço ao Zé do Sertão,  estavam os deputados Valadares Filho, Venancio Fonseca, vários prefeitos, e o presidente da Federação Sergipana de Futebol  Carivaldo Sousa.
UM ESTATÍSTICO NA PRAÇA
Era um sonho de Jose Ruivan da Cruz, que ele agora,  bem além dos 50 anos, concretizou. Recebeu o diploma  tão almejado de  estatístico, numa turma  da UFS de apenas 5, da qual ele fez parte.  A estatística é ainda uma profissão que não tem recebido valorização proporcional à  sua importância.  Ao lado de Ruivan, na solenidade,  a esposa e os dois filhos que se formaram antes do pai. Que deve ter atrasado a sua própria, para que a dos filhos pudesse acontecer.

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