,

PROINVESTE, COM JEITO AGORA VAI

Canindé de São Francisco-SE - Houve, da parte do governo, erros estratégicos na condução inicial do pedido de empréstimo do Proinveste, em seguida, na Assembleia, aconteceu a sonhada demonstração de força que Edivan Amorim pretendia fazer. E alcançou plenamente o sonho, num espasmo de poder que para ele deve ter sido até afrodisíaco.
Luiz Eduardo Costa
Jornalista

O empréstimo, como se sabe, foi negado. Depois de trocas recíprocas de acusações entre governo e oposição, restou, na sociedade, o sentimento forte e decepcionante de que Sergipe perdeu. E não perdeu pouco. Fica também aquela frustrante sensação de ter sido desprezada uma excelente oportunidade para dinamizar agora a economia . 

Com a recusa não se atentou para o fato de que a oportunidade perdida será mais intensamente sentida no futuro. Sabem os vencedores dessa infeliz queda de braço que a comemoração hoje feita se transformará, amanhã, no fardo pesado de cobranças a exigir explicações convincentes quando os bons resultados do Proinveste começarem a surgir aqui bem perto nos vizinhos Bahia e Alagoas. E então, estaremos bem perto das eleições.

Assim, o radicalismo inicial vai cedendo lugar à reflexão, e surge o momento oportuno para que os dois lados se desarmem, cessem a refrega verbal e passem a construir um espaço para o entendimento.

O governador Marcelo Déda deu o sinal indispensável, quando se colocou à disposição do senador Eduardo Amorim para esclarecer dúvidas a respeito de números inexatos nos quais o senador teria se baseado para montar uma situação alarmante sobre excesso de endividamento do estado. Numa audiência com a ministra Ideli Salvati em Brasília o senador foi minuciosamente informado dos cuidados que cercam o oferecimento dos recursos pelo governo federal aos estados. 

Nenhum estado com suas finanças comprometidas estaria na lista dos considerados aptos ao empréstimo do Proinveste. Muito antes de ter o senador Amorim levantado a suspeita de que o empréstimo poderia acarretar riscos ao pagamento dos servidores públicos, o governo federal já fizera a varredura completa de todos os dados econômico-financeiros de Sergipe, lastreado no acompanhamento que é constante, quase diário, sobre a realidade fiscal de cada unidade da federação.

Não será eleitoralmente vantajoso tornar-se responsável pela rejeição de um empréstimo que todos os estados brasileiros contemplados pela oferta prontamente a aceitaram. Tanto o senador Amorim como os deputados que seguem o seu irmão Edivan sabem disso, e todos avaliam as consequências.

Queriam um gesto de humildade do governador, depois de o acusarem de ter tentado aprovar um projeto de empréstimo fazendo-o descer pela goela a dentro da oposição.

Déda reiteradamente já fez, como queriam, o gesto de forma pública, em sucessivas entrevistas.

Sílvio Santos, Secretário da Casa Civil , recebeu a incumbência de restabelecer o diálogo com a Assembleia, e repercutiu positivamente o gesto da visita à presidente Angélica Guimarães, feita por orientação do governador.

O governo já descobriu que governar em situação de minoria no parlamento, é tarefa delicada, que impõe a necessidade de uma avaliação atenta sobre o clima e os humores do Legislativo, sem descurar dos afagos constantes à própria bancada.

No forte presidencialismo brasileiro o ocupante do executivo, vez por outra, até poderia envergar o manto, ter sobre a cabeça a coroa, e segurar o cetro símbolo do poder, e assim ser retratado, da mesma forma como o fizeram Pedro I, e Pedro II. Todo o aparente poderio do presidencialismo se dissolve quando se confronta com uma oposição majoritária no Legislativo. Collor até hoje lamenta os desencontros com o Congresso.

No nosso presidencialismo imperial a ida de um presidente ao Congresso ou de um governador à Assembleia para prestar esclarecimentos, é entendida como constrangimento, quase golpe. Déda, imitando até as boas prática do parlamentarismo, ofereceu-se para ir `a Assembleia quando os deputados acharem conveniente, para falar sobre o Proinveste, dirimir dúvidas, mesmo com as limitações impostas pelo tratamento quimioterápico ao qual ainda se submete. 

Pode ser que assim, com o novo formato de um Proinveste desenhado a duas mãos, a do executivo e a do legislativo, finalmente o imbróglio tenha fim, e Sergipe venha a ser beneficamente irrigado com esses 720 milhões. É indispensável também agora um entendimento com o prefeito João Alves sobre projetos para Aracaju.

A convocação extraordinária da Assembleia será feita com a plena concordância da presidente Angélica Guimarães.

Política pode também ser a arte do impossível.

Comente Um Pouco Sobre Quadrilha RS